Ontem fui chamado de caipira, só que o individuo que o fez mal sabe que me elogiava em vez de criticar pois no Brasil existem dois tipos de caipira, duas vertentes opostas.
A primeira criada por Monteiro Lobato um grande contador de estórias infantis criou o Jeca Tatu aquele caipira, preguiçoso, indolente, vermento, burro e que só quer saber de pescar incapacitado a outra função que não seja o serviço braçal, que vive em seu mundo fechado e jamais podera ser aguia sempre com uma visão panoramica da vida e esta fadado a viver como galinha com uma visão peliferica que jamais conseguira levantar a cabeça e caminhar com as proprias pernas sem depender de nada nem ninguem.
Já na segunda o caboclo ja nasce aguia Cornélio Pires o criador da segunda mostra o caboclo do jeito que ele realmente é esperto, taciturno, inteligente, conhecedor dos misterios do mato, conquistador, sabe entrar e sair, como agir na hora certa, malicioso entre outras coisas e tudo isso ta expresso na moda de viola Conélio Pires fez o certo mostrou as qualidades de um povo brasileiro guerreiro e sofredor mas que não da mole e corre atras.
Agora eu digo abaixo a todo e qualquer preconceito, que diferença faz se voce ouve funk, moda de viola, chorinho, bossa nova, tropicalia entre outros estilos musicais e movimentos é tudo musica faz parte da nossa tão rica e vasta cultura que ja é deixada de lado e mesclada com culturas européias e americanas, então deixemos disso e vamos aproveitar o que de melhor temos antes que acabe.
O Doutor e o Caipira
Eu dou motivo pra me chamar de caipira
Mas continuo lhe tratando de senhor
Eu não me zango, pois não disse uma mentira
Pelo contrario isso ate me da valor
Sua infância foi lições de faculdade
Na realidade hoje é grande doutor
Não tive estudo minha escola foi trabalho
Desbravando meu sertão no interior
Foi importante eu ter feito essa viagem
Pois conheci essa frondosa capital
Estou surpreso vendo tanta aparelhagem
Para o senhor isso tudo é normal
Sou o paciente que o destino lhe oferece
Não me conhece como um profissional
Lá onde eu moro o senhor se sentiria
Como eu me sinto aqui nesse hospital
Lá eu domino aquele incêndio alastrado
Que sendo um raio deixa fogo no espigão
Se der um golpe em um jatobá airado
Eu sei o lado que a arvore cai no chão
Sou especialista em mata-burros e porteiras
Sei a madeira que se usa no mourão
Vamos comigo ver meu mundo a céu aberto
Onde o trabalho também é uma operação
Todas as vezes que me chamam de caipira
É um carinho que recebo de alguém
É uma prova que a pessoa me admira
E nem calcula o prazer que agente tem
Doutor agora nos já somos bons amigos
Vamos comigo conhecer o meu além
Para dizer que sou caipira da cidade
Mas lá no mato eu sou um doutor também